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Psicologia Transpessoal: Cuidado Integral

Pierre Weil (1995) relaciona o surgimento da Psicologia Transpessoal como novo ramo da psicologia à evolução da psicologia propriamente dita.

Segundo Roberto Crema (1985), pode-se registrar a ocorrência de quatro revoluções conceituais na psicologia moderna ocidental, sendo que as duas primeiras, o Behaviorismo e a Psicanálise, emergiram simultaneamente nas primeiras décadas do século 20, como reação à psicologia do final do século 19, centrada na consciência, na vontade e no método introspectivo. 

O Humanismo, por sua vez, surgiu na década de 50, como uma oposição ao Behaviorismo, que colocava à margem do seu objeto de estudo os fatores afetivos e emocionais (Simão, 2010). Como um desdobramento e expansão da Psicologia Humanista, surge a Psicologia Transpessoal, sendo oficializada em 1969, nos Estados Unidos, por um dos principais expoentes do Humanismo, Abraham Maslow, na época presidente da American Psychology Association (Acciari e Saldanha, 2019). 

Para Pierre Weil (1989), a Psicologia Transpessoal pode ser conceituada, de forma abrangente, como o ramo da psicologia especializado no estudo dos estados de consciência considerados superiores, ampliados, em especial a “experiência cósmica”. Estes estados caracterizam-se pela entrada numa dimensão fora do espaço-tempo, assim como é percebida pelos cinco sentidos. Segundo o mesmo autor, esses estados colocam em evidência o caráter relativo da vivência da realidade, percebida de acordo com os diferentes estados de consciência.  Para ele, a Psicologia Transpessoal leva o homem a perceber a limitação do ser na sua manifestação humana, permitindo que ele experiencie a sua não dualidade por meio da superação da oposição ilusória do pessoal ao transpessoal, do mundo relativo ao mundo absoluto (Weil, 1995).

A Psicologia Transpessoal, no intuito de pesquisar a vivência de uma ampla gama de estados de consciência, enfatiza o estudo da saúde e do bem-estar psicológicos ótimos com a finalidade de facilitar o crescimento e a percepção para além dos níveis de saúde tradicionalmente reconhecidos (Walsh e Vaughan, 1991).

Na busca do bem-estar e saúde ótimos, a Psicologia Transpessoal vai além e ressalta os aspectos que podem levar a pessoa a encontrar sua condição cósmica, fato que tende a aproximá-la das concepções religiosas da natureza humana, chamadas “psicologias espirituais” por Charles Tart (Boaianam 1998, apud Tart,1979). 

Stanislav Grof (2002), em seus estudos sobre estados ampliados de consciência, identifica nas principais religiões da humanidade o desenvolvimento de procedimentos psicoespirituais sofisticados para induzir experiências espirituais, destacando várias técnicas de ioga, meditações usadas em vipassana, zen e budismo tibetano, exercícios taoístas, rituais tântricos, procedimentos sufis, além dos exercícios respiratórios dos essênios e a oração cristã de Jesus (hesicasmo).

Weil complementa:

O estado Transpessoal pode ser “induzido” ou desenvolvido através de métodos e técnicas que variam segundo as escolas tradicionais. Citemos os principais: a concentração e a meditação, determinadas danças, certas artes marciais pacíficas, métodos respiratórios, a transmutação energética no tantrismo, diferentes tipos de ioga e determinadas disciplinas religiosas propriamente ditas (Weil, 1993, p. 26).

Outro caminho apontado por Weil (1989) para ampliar o campo da consciência, a fim de atingir os limites da consciência cósmica, passa por reviver os grandes conflitos da vida, tornar-se consciente deles, e fazer um trabalho que promova a morte das máscaras, dos papéis e dos traumatismos que geram neuroses. “É preciso, primeiro, que o homem se livre de seus condicionamentos, de suas ligações e de suas dependências para dar o salto regressivo no desconhecido; o descondicionamento é porta de entrada ao Samadhi”. 

Entre os benefícios propostos pela vivência dos métodos da Psicologia Transpessoal estão a flexibilização dos mecanismos de defesa e dos comportamentos repetitivos, liberando o indivíduo dos apegos e fixações, abrindo assim mais espaço para a saúde integral (Brandão, Menezes e Ferreira, 2005).

Pierre Weil (1995) afirmava que a Psicologia Transpessoal, na vida prática cotidiana, indica caminhos e métodos que poderiam ajudar a despertar os valores inerentes ao Ser e a sabedoria indissociável do amor para com todos os seres. Sendo assim, reconhecia na Psicologia Transpessoal um enorme potencial terapêutico, capaz de “transformar as formas destrutivas de energia, como o ódio, a possessividade, o orgulho competitivo, o crime e a inveja, em harmonia e Paz para cada ser humano e para toda a humanidade” (Weil, 1995, p.14-15).

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Este texto é parte intrínseca do TCC apresentado pelos aprendizes Fábio Szamszoryk, Lenita Fujiwara e Mônica Thiele Waghabi ao término da formação no curso de Especialização em Psicologia Transpessoal – Cuidado Integral e a Inteireza Humano na Turma 4

Fábio Szamszoryk é social media designer, editor de vídeo, aspirante a desenvolvedor web e aprendiz de pós-graduação em Psicologia Transpessoal.

Lenita Fujiwara é redatora, reikiana, aprendiz de pós-graduação em Psicologia Transpessoal e membro da equipe de Comunicação da Unipaz SP, além de practitioner de Barras de Access e terapeuta Alquímica Floral.

Mônica Thiele Waghabi écaminhante da trilha da consciência. Cursa pós-graduação em Psicologia Transpessoal na Unipaz SP e se dedica ao Canto Integrativo, abordagem holística do canto. Esteve cantora, diretora musical e arranjadora do Vésper Vocal – grupo vocal feminino a cappella – e integrou o coral da Orquestra Sinfônica do Estado de SP (OSESP). Trouxe ao mundo o livro póstumo de Magro Waghabi, “Vozes do Magro – discografia comentada e arranjos selecionados” dos 15 primeiros LPs do MPB4 e é co-organizadora do livro “Samuel Kerr: arranjos corais”. É autora do livro de poemas “Caminhos do coração – as estações do amor”.

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