Unipaz São Paulo

Discussão ou Diálogo?

Quando a palavra constrói pontes — ou levanta muros.

Vivemos tempos em que a comunicação, embora constante, parece cada vez mais conflituosa. As redes sociais, as reuniões de trabalho, os grupos de família e até mesmo as conversas cotidianas estão frequentemente marcadas por embates — e não por encontros. Isso nos leva a uma pergunta essencial: afinal, estamos dialogando ou apenas discutindo?

A discussão parte, muitas vezes, da tentativa de provar um ponto de vista, de defender uma posição ou de convencer o outro. É um jogo em que se busca vencer — mesmo que, para isso, seja preciso levantar a voz, interromper ou desqualificar o argumento alheio. A discussão tende a ser reativa, polarizadora e, por vezes, agressiva. Ela estreita o campo de visão, instala barreiras emocionais e empobrece a escuta.

Já o diálogo é uma prática radicalmente diferente. Ele não busca impor, mas compreender. Não exige concordância, mas sim presença e escuta real. No diálogo, há espaço para divergências e convergências, porque o foco não é a vitória de um argumento sobre o outro, mas o encontro entre visões de mundo.

Dialogar é uma arte. Uma arte que pede coragem para rever certezas, curiosidade para explorar o desconhecido e humildade para aprender com o outro. O diálogo verdadeiro não fecha questões — ele as expande. Não delimita trincheiras — ele abre caminhos.

Mas é preciso cuidado. Um diálogo pode facilmente se transformar em discussão quando o desejo de ter razão sobrepõe-se ao desejo de compreender. Quando os argumentos se esgotam e surge a necessidade de “ganhar”, perde-se o espírito do diálogo. A palavra, então, deixa de construir pontes e passa a erguer muros.

Esta série de artigos é um convite para reaprendermos a arte do diálogo — como prática pessoal, relacional e coletiva. Ao longo dos próximos textos, vamos explorar as nuances dessa escuta ativa e sensível, refletir sobre os desafios que ela impõe e experimentar formas mais conscientes de nos comunicarmos.

Porque, no fim das contas, dialogar é mais do que falar com o outro — é estar disposto a se transformar no encontro com ele.

Nelma da Silva é Facilitadora, Educadora, Pedagoga e Administradora de Empresas. Coach em Processos de Transformação Profissional, com MBA em Dinâmica Organizacional, Gestão e Ambiente de Trabalho. Possui pós-graduação em Transdisciplinaridade e Desenvolvimento Integral do Ser Humano e em Psicologia Transpessoal. Tem ampla experiência em organizações privadas, com atuação focada na implantação de projetos e no desenvolvimento de equipes e lideranças.
É cofundadora, presidente e coordenadora pedagógica da Unipaz São Paulo, além de vice-reitora da Universidade Internacional da Paz.
Facilitadora dos programas Eneagrama, Autogestão, Educação Ambiental e A Arte de Viver a Vida, de Pierre Weil.