Dialogar vai muito além da simples troca de palavras. Como propôs David Bohm em 1989, o verdadeiro diálogo é uma prática que envolve escuta ativa, presença e a suspensão de julgamentos.
Quando nos abrimos para as múltiplas verdades que coexistem em cada conversa, deixamos de lado a necessidade de convencer o outro e buscamos, em vez disso, uma compreensão mais profunda dos sentimentos e ideias compartilhados.
Nesse processo, as hierarquias desaparecem e expectativas rígidas de resultado se dissolvem. O foco se desloca do convencimento para a investigação mútua. Dialogar é revelar pressuposições inconscientes, escutar com espírito investigativo e acolher a diversidade de significados que emergem no campo da conversa.
Não se trata de defender pontos de vista, mas de criar um espaço seguro onde qualquer coisa possa ser dita, onde cada fala é uma oportunidade de encontro — de alma para alma.
A pausa entre as falas torna-se essencial: ela permite que as palavras ressoem, abrindo espaço para o silêncio fértil da reflexão. O diálogo se transforma em uma dança de ritmos, onde o tom suave da fala e o respeito pelo tempo do outro constroem vínculos de confiança e escuta mútua.
Aqui, o mais importante não é apenas o que se fala — mas o que se compreende. Quando falamos a partir do nosso “ponto de equilíbrio” interior, e utilizamos a linguagem do “eu”, expressamos nossas verdades de forma autêntica, sem ataque ou acusação, favorecendo uma conexão genuína e respeitosa.
Pierre Weil, mestre do diálogo e da paz, nos ensinava uma prática simples e poderosa:
antes de responder ao outro, comece dizendo: “Se entendi bem, você me disse…” e então repita, com suas palavras, o que compreendeu.
Esse gesto abre a possibilidade para que o outro confirme ou esclareça sua fala, evitando mal-entendidos e favorecendo o entendimento mútuo. É uma prática de humildade e presença, que fortalece a qualidade da escuta e da convivência.
Na UNIPAZ, promovemos essa escuta genuína em todos os nossos encontros. Criamos espaços onde o diálogo acontece com simplicidade, profundidade e humanidade. Seja nas aulas, nos intervalos para o café, nos almoços compartilhados ou nas rodas de conversa, o diálogo surge como força vital do encontro.
É nesses momentos, livres de intermediários e revestidos de presença, que compartilhamos nossas experiências, perspectivas, esperanças e medos. E é nesses diálogos sinceros que nos conectamos, nos reconhecemos e crescemos juntos.

Nelma da Silva é Facilitadora, Educadora, Pedagoga e Administradora de Empresas. Coach em Processos de Transformação Profissional, com MBA em Dinâmica Organizacional, Gestão e Ambiente de Trabalho. Possui pós-graduação em Transdisciplinaridade e Desenvolvimento Integral do Ser Humano e em Psicologia Transpessoal. Tem ampla experiência em organizações privadas, com atuação focada na implantação de projetos e no desenvolvimento de equipes e lideranças.
É cofundadora, presidente e coordenadora pedagógica da Unipaz São Paulo, além de vice-reitora da Universidade Internacional da Paz.
Facilitadora dos programas Eneagrama, Autogestão, Educação Ambiental e A Arte de Viver a Vida, de Pierre Weil.