Somos um país feito de encontros.
Aqui, a floresta abraça o mar, o sertão encontra a serra, e em cada canto do Brasil há um jeito único de viver — um jeito que acolhe, que aproxima, que abraça.
Pierre Weil, um dos fundadores da UNIPAZ e reitor de 1987 a 2008, chegou ao Brasil em 1948 e se encantou por esta terra generosa e viva. Entre tantas riquezas culturais, o que mais o tocou foi a espontaneidade do povo brasileiro em se conectar pelo coração. Para ele, o abraço era uma expressão pura da alma brasileira — um gesto simples e profundo que une o humano ao humano, além das palavras.
Em 2012, durante o Festival Mundial da Paz — realizado pela UNIPAZ São Paulo em parceria com outras unidades da Rede e com o movimento de Cultura de Paz — um grupo de aprendizes da UNIPAZ Santa Catarina caminhava pelo Parque Ibirapuera (epicentro do Festival, que aconteceu de 6 a 9 de setembro daquele ano, com mais de 600 atividades simultâneas) com uma placa nas mãos: “Quer um abraço?”
Em poucas horas, centenas de pessoas se permitiram viver a alegria de um encontro genuíno. Era o Brasil do abraço em sua mais bela expressão: o toque que acolhe o diferente, o gesto que desperta a confiança e o pertencimento.
O abraço é mais do que um costume social — é uma linguagem ancestral do cuidado.
A chamada “terapia do abraço”, embora não tenha uma origem única, representa uma evolução do conhecimento sobre os benefícios do contato humano. Pesquisas mostram que o toque afetivo é essencial para o desenvolvimento físico e emocional.
Na década de 1950, o psicólogo Harry Harlow demonstrou que filhotes de macacos preferiam a “mãe de pano”, que oferecia aconchego, à “mãe de arame”, que apenas alimentava. O conforto emocional, mais do que o alimento, sustentava a vida.
Estudos modernos confirmam o que o coração sempre soube: o abraço libera ocitocina, o “hormônio do amor”, além de endorfina e serotonina — substâncias que reduzem o estresse, fortalecem o sistema imunológico e aumentam a sensação de bem-estar.
Nos anos 1980, a terapeuta Kathleen Keating, com seu livro A Terapia do Abraço, popularizou essa prática como um caminho para aliviar a solidão, a ansiedade e a depressão. Desde então, muitos pesquisadores e terapeutas reconhecem o abraço como um gesto curativo, capaz de restaurar vínculos e nutrir a alma.
No fundo, o povo brasileiro — com seu coração aberto e seu instinto de encontro — sempre soube disso.
Em algum lugar inconsciente dessa cultura que abraça o outro, mora o saber ancestral de que um abraço pode curar.
Neste Natal,
inspiramos que cada um de vocês possa abraçar genuinamente cada pessoa que encontrar — com presença, com ternura e com a alma inteira.
Porque, às vezes, um abraço é tudo o que o mundo precisa para voltar a ser casa.
E a UNIPAZ segue inspirando gestos assim: simples, verdadeiros e transformadores — como um abraço.

Nelma da Silva é Facilitadora, Educadora, Pedagoga e Administradora de Empresas. Coach em Processos de Transformação Profissional, com MBA em Dinâmica Organizacional, Gestão e Ambiente de Trabalho. Possui pós-graduação em Transdisciplinaridade e Desenvolvimento Integral do Ser Humano e em Psicologia Transpessoal. Tem ampla experiência em organizações privadas, com atuação focada na implantação de projetos e no desenvolvimento de equipes e lideranças.
É cofundadora, presidente e coordenadora pedagógica da Unipaz São Paulo, além de vice-reitora da Universidade Internacional da Paz.
Facilitadora dos programas Eneagrama, Autogestão, Educação Ambiental e A Arte de Viver a Vida, de Pierre Weil.